Desempenho do Brasil no Pisa e a importância da educação financeira

Relatório da avaliação mostrou que situação financeira das famílias, renda per capta e Produto Interno Bruto dos países têm relação direta com índices de analfabetismo financeiro

Os resultados do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa) 2018 revelaram que o Brasil ocupa a 17ª posição, entre os 20 países analisados naquele ano. Apesar de ter melhorado o seu desempenho em relação ao último relatório trienal, de 393 pontos para 420 pontos, o país ainda ficou muito abaixo da média geral, que é de 505 pontos.

Abaixo do Brasil, encontram-se apenas o Peru, a Geórgia e a Indonésia. Entre as três primeiras posições, estão a Estônia, o Canadá e a Finlândia.

Relação entre educação e bem-estar financeiro

Os dados da avaliação sobre letramento financeiro realizada pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) entre jovens de 15 anos revelam mais que apenas as notas de forma isolada.

Cerca de 117 mil adolescentes foram avaliados sobre temas como cartões de débito, contas bancárias, taxa de juros, empréstimos, escolha entre uma variedade de planos de celular, entre outras questões.

É interessante notar que, quando observamos os resultados dos países que obtiveram os melhores e piores resultados, é possível observar claramente uma relação entre as baixas notas em letramento financeiro e as condições socioeconômicas de suas populações.

Segundo o relatório, cerca de 10% das diferenças observadas nas performances dos jovens podem ser explicadas pelo suas condições socioeconômicas. Jovens imigrantes obtiveram 30 pontos a menos em sua pontuação, o que, segundo o Pisa, é explicado pelo baixo status econômico.

Nos países em que os estudantes obtiveram melhores notas, as condições de vida e aprendizado em educação financeira são melhores, e há um impacto positivo na saúde financeira das pessoas, o que não pode ser observado nas nações que tiveram os piores desempenho.

Conscientização financeira no Brasil

Segundo dados da Pesquisa Endividamento e Inadimplência do Consumidor, da Confederação Nacional do Comércio (CNC), 65,3% das famílias brasileiras encontravam-se endividadas no começo deste ano. Informações do Banco Mundial mostram que apenas 3,64% da população brasileira economiza para a aposentadoria, sendo que a média na América Latina é de 10,6%.

Esses dados mostram a baixa conscientização financeira que atinge a sociedade brasileira, o que é um reflexo da formação ruim recebida nas escolas em comparação a outros países que são membros da OCDE.

Educar financeiramente é mais do que ensinar a poupar e gastar. A educação financeira é um importante instrumento de inclusão social.

Quando as pessoas têm informação adequada sobre finanças, entendendo questões como orçamento, poupança, investimentos, carreira e moradia, isso dá a elas mais chances de desenvolverem-se economicamente aproveitando melhor o potencial de sua renda, o que, consequentemente, gera mais riqueza para os países onde elas vivem e, assim, toda a sociedade tende a ganhar.